segunda-feira, 22 de junho de 2009

Memória de pele ((Ainda em construção...)



Minha alma, hoje alquebrada, por tantas decepções vergastadas, redime-se: sente-se deveras premiada ao lembrar dos passeios feitos com você, sem juízo, sem nada além de um sorriso, acompanhados pelo cheiro oloroso da dama da noite.

E, vindo através do vento, os débeis acordes daquela música que nos fazia juntar as cabeças, esfregando nossos cabelos, rindo de nós mesmos como tolos deliciosamente apaixonados.

Os Néscios e Pascácios dizem que o tempo não volta atrás. Mal sabem esses seres tão formais, que um simples aspirar de teu perfume, traz-me imediatamente ao lume os nossos beijos trocados,

Tão nítidos, tão reais, que te vejo disfarçada na mulher que me acena da calçada oposta, na atendente da loja de conveniência, até no rosto de desconhecidas atrizes, sombras a me perseguir como uma não cumprida penitência, marcas gravadas na pele como antigas e doloridas cicatrizes de açoites.

João Bosco (Aprendiz de poeta)

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